Estar deprimido..... como lidar com a depressão?
Hoje em dia, são cada vez mais os
relatos de casos de depressão ou de um humor grandemente depressivo. Contudo, é importante ter em consideração que
existem diferenças entre um quadro de "Depressão" e oscilações
normais de humor.
Todos nós temos dias em que nos
sentimos mais animados e positivos e dias em que nos sentimos com menos energia
e motivação. Estas oscilações emocionais fazem parte do próprio sistema de
homeostasia emocional do nosso corpo e são perfeitamente normais. O ideal será
respeitar ao máximo estas emoções, observá-las, aceitá-las e descobrir a melhor
forma de lidar com estas variações de humor.
De notar que aceitar e respeitar
uma emoção não significa inércia ou que nada façamos para encontrar uma forma
de lidar eficazmente com esta. Por exemplo, se nos estivermos a sentir
particularmente tristes ou com falta de energia podemos ser ativos na procura
de uma estratégia positiva que nos permita subir um pouco a nossa energia e nos
proporcione prazer. Estas alternativas dependerão de cada individuo, dos seus
gostos e preferências e do seu próprio mecanismo de funcionamento individual.
Para algumas pessoas, um passeio junto ao mar opera milagres, para outras a
companhia dos que lhe são queridos, uma sessão de exercício físico, ou mesmo a
combinação de várias atividades.
Quando os sintomas
"depressivos" persistem durante um período de tempo contínuo e
prolongado podemos então falar de um quadro depressivo, com diferentes níveis
de intensidade.
A depressão diferencia-se então das
normais mudanças de humor pela gravidade e permanência dos sintomas. Está
associada, muitas vezes, a ansiedade e/ou pânico.
Os sintomas mais comuns são:
- Desinteresse, apatia e tristeza;
- Modificação do apetite (falta ou excesso de
apetite);
- Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
- Fadiga, cansaço e perda de energia;
- Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e
de autoestima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
- Falta ou alterações da concentração;
- Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
- Alterações do desejo sexual;
- Irritabilidade;
- Manifestação de sintomas físicos, como dor
muscular, dor abdominal, enjoo.
Muitas vezes o indivíduo pode evitar procurar ajuda especializada, ao
sentir-se embaraçado e humilhado por não ser capaz de executar uma determinada
tarefa ou atividade ou por “não ter razões para estar deprimido”.
No entanto, existem ainda casos em que a depressão é considerada como uma
parte inevitável e normal da vida, sendo por isso, negligenciada.
A depressão clínica é uma condição séria e ameaçadora da vida. Quando o nosso
funcionamento se deteriora e os
pensamentos são cada vez mais sombrios e sobrecarregados devemos procurar ajuda
adequada e iniciar o mais rapidamente possível uma abordagem psicológica/psicoterapêutica.
Durante este processo, é muito
importante ter em consideração uma série de aspetos, sendo que o primeiro passo
passará sempre, inevitavelmente, pela consciência e aceitação da sua situação e
pelo desejo de mudança:
- Procurar
adotar uma alimentação saudável
e ter um sono regular (6 a 8
horas, consoante as necessidades individuais). Se existirem insónias, ler
ou dedicar-se a alguma atividade e no dia seguinte tentar acordar à hora
planeada ou não muito mais tarde. Tentar não dormir durante o dia, para
que o corpo sinta sono no período normal da noite.
- A prática regular de técnicas de respiração e meditação constitui um valioso
contributo na recuperação e prevenção futura.
- Praticar exercício físico que
produz a estimulação de adrenalina (durante) e endorfinas (após),
proporcionando energia e uma sensação de bem-estar.
- Praticar atividades prazerosas e contrariar a inércia que aumenta a
sensação de inutilidade e derrota. Elaborar uma pequena lista com algumas
tarefas que sejam realistas e concretizáveis (ir adaptando consoante a
evolução), tentar que sejam agradáveis mas se não o forem não se
culpabilizar ou martirizar. Insistir e pensar em novas alternativas.
- Procurar a companhia de amigos, sair,
conversar, partilhar.
- Identificação de pensamentos negativos
e destrutivos e substituí-los por pensamentos positivos e mais adaptados.
A ajuda psicológica/psicoterapêutica
poderá constituir-se como um auxiliar muito positivo de identificação de
fatores disfuncionais, de criação de alternativas e estratégias adequadas para
lidar e ultrapassar o quadro depressivo,
e na planificação e gestão de novas rotinas e hábitos de vida.
(Sofia Rodrigues)